Resolução BCB n° 538: Como os Testes de Intrusão Sustentam a Conformidade das Instituições de Pagamento

Como Testes de Intrusão deixam de ser apenas prática técnica e passam a atuar como evidência regulatória, instrumento de gestão de riscos operacionais e pilar de sustentabilidade para Instituições de Pagamento no novo cenário do Banco Central.

  • Everton Adami
27, janeiro 2026

Em 2026, a Segurança Ofensiva deixou de ser um tema restrito à área técnica e passou a ocupar um papel central na gestão de riscos, na governança e na sustentabilidade das Instituições de Pagamento (IPs).

Nesse novo cenário regulatório, os Testes de Intrusão, também conhecidos como Pentests, deixaram de ser apenas uma boa prática de segurança e passaram a funcionar como evidência objetiva de conformidade, especialmente após a consolidação do arcabouço normativo ocorrida em 2025.

O Banco Central deixou claro, direta e indiretamente, que conhecer o risco cibernético real é parte indissociável do risco operacional.

Continue esta leitura para entender como você pode transformar os Testes de Intrusão de obrigação regulatória em pilar de conformidade, sustentabilidade e vantagem competitiva para IPs de pequeno e médio porte.


1. O cenário real das IPs em 2026: alta exposição exige testes realistas

Instituições de Pagamento operam hoje com:

  • APIs expostas a múltiplos ecossistemas
  • Ambientes cloud e multicloud altamente dinâmicos
  • Dependência crítica de terceiros
  • Times enxutos e pressão por escala

Nesse contexto, os Testes de Intrusão tornam-se o principal mecanismo para validar se:

  • Os controles implementados funcionam de fato
  • A arquitetura suporta ataques plausíveis
  • A continuidade dos serviços críticos está protegida

Evidências práticas esperadas pelo BCB

  • Relatórios de Pentest alinhados ao modelo de negócio da IP
  • Testes cobrindo APIs, fluxos de pagamento e integrações críticas
  • Correlação direta entre achados e riscos operacionais relevantes

2. O erro a ser evitado: Pentest tratado como checklist anual

Com a nova exigência imposta pela BCB n° 538, as IPs devem evitar o erro comum de tratar o Pentest apenas como:

  • Um evento anual isolado
  • Um requisito “para cumprir norma”
  • Um relatório técnico arquivado após a entrega

Esse modelo entra em choque direto com as resoluções que exigem gerenciamento contínuo de riscos, nas quais o risco deve ser identificado, monitorado e mitigado ao longo do tempo.

Pentests conduzidos dessa forma:

  • Não medem risco residual
  • Não alimentam a matriz de riscos
  • Não sustentam decisões executivas

Evidências práticas esperadas pelo BCB

  • Histórico evolutivo de Testes de Intrusão
  • Demonstração de redução de riscos ao longo do tempo
  • Uso dos resultados como insumo para planos de ação e relatórios à diretoria

3. O que o arcabouço regulatório realmente exige sobre testes ofensivos

Ao analisar de forma integrada as resoluções de segurança cibernética, risco operacional e controles internos, a expectativa do regulador fica evidente.

A política de segurança não pode ser apenas declaratória. Ela precisa ser testada na prática.

Evidências práticas esperadas pelo BCB

  • Plano formal de Pentest integrado à política de segurança cibernética
  • Critérios de periodicidade baseados em risco, não apenas em calendário
  • Evidência de cobertura de controles críticos (autenticação, segmentação de ambientes, isolamento dos ambientes PIX e STR, evasão de mecanismos de detecção, integridade fim a fim das transações, criptografia, APIs, antifraude)

4. Quando Segurança Ofensiva vira instrumento de Gestão de Risco

Uma abordagem madura de Segurança Ofensiva trata o Teste de Intrusão como:

  • Validação de cenários reais de risco
  • Simulação de falhas com impacto operacional
  • Insumo direto para a estrutura de gerenciamento contínuo de riscos

Nesse modelo, o Pentest deixa de ser técnico e passa a responder perguntas estratégicas:

  • Onde um ataque interrompe o serviço?
  • Qual falha tem maior impacto regulatório?
  • Qual risco residual permanece após os controles existentes?

Evidências práticas esperadas pelo BCB

  • Mapeamento dos achados de Pentest para categorias de risco operacional
  • Classificação de vulnerabilidades considerando impacto regulatório
  • Integração dos resultados à matriz de riscos institucional

5. IPs Autorizadas vs. IPs em Processo de Autorização

IPs já autorizadas

Para instituições em operação, o BCB espera:

  • Evolução contínua dos controles
  • Aprendizado organizacional
  • Redução de recorrência de falhas

Aqui, os Testes de Intrusão periódicos demonstram maturidade operacional.

Evidências esperadas:

  • Comparação entre ciclos de Pentest
  • Eliminação de vulnerabilidades reincidentes
  • Uso dos resultados em decisões de priorização e investimento

IPs em processo de autorização

Para instituições que buscam autorização, o olhar do regulador é diferente.

O Pentest assume o papel de:

  • Validar as premissas do modelo de negócio
  • Demonstrar governança prática
  • Reduzir incertezas regulatórias antes do início da operação

Evidências esperadas:

  • Teste de Intrusão pré-operacional cobrindo a arquitetura proposta
  • Avaliação de APIs, fluxos críticos e integrações
  • Correções realizadas antes do go-live

6. Sustentabilidade do negócio passa por testes bem utilizados

As resoluções deixam claro que risco operacional inclui:

  • Falhas de sistemas
  • Indisponibilidade de serviços
  • Incidentes de segurança da informação

Pentests bem utilizados:

  • Reduzem custos emergenciais
  • Evitam paralisações não planejadas
  • Aumentam previsibilidade operacional

Evidências práticas esperadas pelo BCB

  • Uso dos resultados dos Testes de Intrusão em planos de continuidade
  • Integração com planos de resposta a incidentes
  • Demonstração de aprendizado após testes simulados

7. Testes de Intrusão como vantagem competitiva

Em 2026, IPs mais maduras utilizarão Pentests para:

  • Dialogar melhor com o regulador
  • Reduzir fricções em auditorias
  • Demonstrar governança a parceiros e investidores

O Teste de Intrusão deixa de ser custo técnico e passa a ser evidência concreta de que a instituição conhece e gerencia seus riscos.

Evidências práticas esperadas pelo BCB

  • Narrativa clara entre risco identificado, teste realizado e decisão tomada
  • Relatórios executivos derivados dos Pentests
  • Coerência entre discurso institucional e prática operacional

Conclusão

O novo arcabouço regulatório não exige total ausência de falhas. Ele exige consciência, teste e gestão do risco real.

Quando Testes de Intrusão são tratados como parte da Segurança Ofensiva estratégica, deixam de ser checklist e se tornam pilares de conformidade, sustentabilidade e confiança.

Reflexão: Na sua organização, o Pentest hoje é apenas uma exigência regulatória ou uma ferramenta real de gestão de risco?

Sobre o Autor

Everton Adami atua apoiando líderes de tecnologia na mitigação e no gerenciamento de riscos cibernéticos em ambientes críticos e regulados. É fundador da Cloud4 e trabalha com foco em Application Security, Cloud Security, Pentest e Threat Intelligence, ajudando organizações a transformar segurança em capacidade prática de gestão de risco.

Como a Cloud4 pode apoiar nessa jornada

Na Cloud4, ajudamos fintechs e empresas reguladas pelo Banco Central a estruturar e operar processos de monitoramento e gestão de riscos cibernéticos, com foco em:

  • visibilidade contínua da superfície de exposição;
  • integração entre segurança, risco e governança;
  • geração de evidências para conformidade regulatória;
  • evolução de maturidade sem dependência imediata de ferramentas caras.

Se sua organização precisa avançar na conformidade com a BCB n° 538 e CMN n° 5.274 de forma pragmática e sustentável, esse é um bom ponto de partida para a conversa.

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